O video-game de Buda  

Postado por Diogo de Alcântara


Uma vez Buda ganhou um Atary do seu pai. Tava ela lá jogando um joguinho neste seu novo video-game, e acabou se viciando no jogo.

Segundo os amigos de Buda, o que se tinha que fazer era evoluir o personagem do jogo cada vez mais para terminar o jogo. Mas, o que nenhum deles sabia é que os jogos de Atary eram cíclicos, não tinham fim.

Haviam vários jogos disponíveis. Pois afinal, em cada época lançavam um jogo diferente. E todos eles ficavam jogando, jogando, e quando seu personagem morria, eles pegavam "continues", para o personagem "renascer" e eles continuarem jogando.

Os amigos de Buda dizíam que o jogo que eles jogavam era o melhor que já inventaram. E eles estavam tão viciados naquele jogo, que ficavam brigando entre si, disputando para ver quem jogava melhor. Com isso, eles acabavam nunca saindo de seus castelos. Ficavam lá, tentando ser os melhores. Jogando e pensando naquele jogo 24h por dia, sendo que quase nem se alimentavam.

Um dia Buda enxeu o saco de toda essa história. Atirou o video-game na parede e foi dar uma volta.

Saindo do castelo ele sentou em baixo de uma figueira e ficou lá, meditando na vida. Com isso várias lembranças surgiram em sua mente. Ele lembrou da primeira vez que resolveu sair do castelo. Na época ele tinha enjoado do joguinho que estava jogando, mas, fora do castelo, acabou arranjando com seus amigos um outro jogo para jogar. Lembrou também de um cara que tinha ficado doente de tanto jogar video-game. E de outro, bem velinho, que mesmo jogando video-game a vida inteira, não tinha conseguido terminar o jogo. Além disso, também lembrou de um que, o simples fato de jogar video-game, não lhe impediu de morrer de verdade.

Depois de pensar em todas estas coisas, derrepente ele ouviu a voz do silêncio. O que exatamente tal voz comunicou a ele, ninguém sabe dizer. Mas, segundo Buda, ele havia se iluminado.

A partir de então, Buda nunca mais quis saber de joguinhos de video-game. Pois que, segundo ele, seriam eles as causas de todo sofrimento humano. Pois, as pessoas acabam se apegando, se viciando nestes jogos. Os quais, atrofiam os sentidos, as impedem de distinguir o que é real daquilo que é irreal, o que é eterno, do que é transitório, fazendo com que estes percebam e entendam a vida de uma maneira formatada. Assim, as pessoas acabam deixando de perceber e tratar as pessoas como pessoas; acabam deixando de perceber e maravilhar-se com as coisas simples da vida; acabam perseguindo objetivos quaisquer, e que geralmente não são seus; e o resultado disso é que se tornam incapazes de sentir uma "natural felicidade sem causa".

Depois destas meditações, lá foi Buda tentar ensinar isso para as pessoas. Buda passou o resto de sua vida tentando ensinar esta sua descoberta para todos a sua volta. E certamente que teve muitos discipulos e seguidores. Mas, na verdade, infelizmente ninguém conseguiu entender muito bem suas mensagens. Sendo que, no final das contas, os discípulos de Buda acharam melhor pegar seus ensinamentos, e criar um novo jogo de video-game.